terça-feira, 31 de março de 2009

Computadores


Através do Google Talk, uma amiga desafiou-me a colocar um post acerca do que pensava dos computadores porque comentei com ela que gostava que executessem exactamente o que estava a pensar. Por estranho que pareça, nunca gostei muito deles. São uma óptima ferramenta, tal como uma batedeira eléctrica ou uma máquina máquina de lavar que nos facilita bastante o trabalho e, neste caso, as comunicações, mas assim que algo corre mal, sinto uma frustração imensa e vontade de o arrastar até à janela e largá-lo. O típico drag and drop.

O meu primeiro contacto com um computador foi muito breve e obscuro, quase como se desse cara a cara com um extra-terrestre. Aliás, na altura fazia-me mais sentido conviver com um alienígena do que com um computador, já que estávamos em plenos anos 80 e o Spielberg fazia sucesso com o ET. Decorreu através do meu primo, que é dois anos mais novo do que eu, e, pelo facto de conseguir manusear aquele aparelho mesmo sem quase saber ler, fazia com que o visse como um sobredotado de inteligência muito superior.
O écran era preto e branco, talvez de um IBM, e gostávamos de jogar um jogo que consistia em calcular e introduzir, à vez, o valor do ângulo certo para atirar uma pixelizada bomba-banana de um pixelizado macaco pendurado num pixelizado prédio para o outro pixelizado macaco pendurado no outro pixelizado prédio. O macaco que caísse primeiro, perdia.

Alguns anos mais tarde uma amiga de infância adquiriu um Spectrum, daqueles que liam através de um leitor de cassetes lento e barulhento. Esperávamos pacientemente que carregasse o jogo, o nosso preferido era uma espécie de golf, os pixéis já eram um pouco mais pequenos e os gráficos mais coloridos. Eu achava que essa minha amiga também era muito inteligente.

Vivi bem sem computadores até muito tarde. Pensava que só os informáticos é que precisavam deles, e para mim o mundo era perfeito com caneta e papel. Até começar a tirar um curso superior que me obrigava a fazer trabalhos inforgráficos. A primeira vez que estive frente-a-frente com um computador à minha inteira disposição senti-me novamente a olhar para um ser de outro planeta. Perante o assombro do professor confrontado com a pergunta, fiquei a saber que o Macintosh quadrado se ligava no interruptor instalado na parte de trás, e assim iniciei a minha aventura pela informática, a espreitar para um monitor quase tão pequeno como um olho-de-boi.

Agora que me habituei, penso que a vida devia ter algumas utilidades como o copy e o paste, para, por exemplo, multiplicar as alegrias, o dinheiro na carteira, ou os cabelos na cabeça de um careca... o undo, para desfazer os erros e deixar tudo como estava antes, o save, para guardar os bons momentos e voltar a eles sempre que quiser, e o quit, para sair de uma situação menos agradável. Penso que seria tudo bem mais fácil se pudéssemos passar os acontecimentos pelo Photoshop, para reparar um farol partido, mudar as cores das paredes, apagar uma ruga ou emagrecer 20 kg.
Era só carregar num botão. Talvez um dia o computador, ou algo que daí degenere, consiga mesmo fazer isso tudo.
Agora, qualquer pessoa tem acesso a um computador, ou até mesmo a vários, e até as gerações anteriores à minha se adaptaram com alguma facilidade.
Afinal, somos todos inteligentes.

5 comentários:

Gena disse...

Olá amiga!

Começo por agadecer o elogio. Afinal, não é todos os dias que me chamam inteligente!

Concordo completamente contigo relativamente às funcionalidades dos computadores que deviam ser transportadas para a vida real.

Ainda tenho o Spectrum, já não o experimento há muito tempo mas penso que ainda funciona. Se quiseres, podemos incluí-lo no "programa das festas" um dia destes.

Beijinhos.

O Espírito do Tai Chi disse...

Amiga "BatRitinha",

...Um dia ainda havemos de falar "no tempo em que haviam blogs"...

António Serra

BatRitinha disse...

Amigo Serra, acho que ainda vamos falar no tempo em que o computador era o computador!!!

Rainha do Nada disse...

Adorei o post.
Beijos.

F3lixP disse...

Eu não quero nada que os computadores façam isto! O mundo é bonito por ser imperfeito, é da imperfeição que aprendemos e sabemos (ou deviamos) apreciar as coisas bonitas!
Cá em casa existem 3 computadores e devo a eles quase tudo o que tenho de bom hoje em dia, sim é verdade, a virtualidade afinal pode dar em boa realidade e dessa forma o computador não faz o que queremos mas ajuda!
;)