sexta-feira, 27 de março de 2009

Borboletas

No outro dia reparei como gosto de borboletas, quando ao arrumar a minha caixa dos enfeites, vi que grande parte das pregadeiras, peça que uso de vez em quando, representam borboletas. Há quem as ache pirosas, mas eu gosto.
Com pedras, com missangas, esmaltadas, mais ou menos discretas, já tenho algumas.
Há quem ache as borboletas símbolo de tristeza, assim como uma espécie de prenúncio de morte.
Desde os tempos antigos dos egípcios, gregos e romanos, vem a crença de que a alma deixava o corpo em forma de borboleta, que em grego se diz psique, o que significa também espírito.
Talvez lhe tenham conferido esse significado por ser alvo do processo de metamorfose, nascer lagarta, recolher-se num casulo e transformar-se numa crisálida que renasce com as suas asas para viver uma outra vida. Eu acho que é um processo lindo!
Sempre me impressionaram aquelas borboletas dos coleccionadores, presas nos quadros com alfinetes espetados, cadáveres belos que já não voam. Lembram-me a célebre frase «Viver depressa, morrer novo e deixar um corpo bonito». Não me é uma ideia apelativa, pois espero usar durante bastante tempo esta embalagem onde nasci.
A vantagem de nascer no campo é ver a natureza antes de começar a absorver qualquer outro significado vindo de outros mundos.
Quando brincava no quintal da casa dos meus pais, entre os muros caiados a branco luminoso que serviam de fundo às cores garridas das rosas amarelas e de veludo vermelho, os malmequeres, os crisântemos e os brincos-de-princesa que gostava de pendurar nas orelhas, sob o tecto da aveleira que tornava fofo o chão de cimento com os seus pendentes amarelados que iam caindo, recordo-me de receber com alegria e fascínio as borboletas, brancas ou amarelas, no seu voo alegre e irregular de quem aprecia a vida sem tempo a perder.
Para mim são sinal de harmonia, porque aparecem nos dias mais bonitos, de equilíbrio e simetria, com as suas asas em forma de pétalas grandes, de algo delicado e efémero que a natureza resolveu oferecer para deleite dos nossos olhos. Talvez seja por isso que gosto de usar borboletas, por me lembrarem que a vida não é eterna e que não devo espetar alfinetes nas minhas asas.

7 comentários:

Arsène Lupin disse...

Amor,

Gosto tanto da maneira como escreves, nem tu sabes quanto. Ou talvez saibas.
Ao contrario de ti, eu não tenho nenhum fascínio por borboletas. Embora também a mim me impressione esses quadros onde os tais alfinetes as prendem pelo abdómen.

Só um reparo: "Live Fast, Die Young and Leave a Good-looking Corpse" é uma frase do actor John Derek no filme Knock on Any Door, e não do James Dean.

Beijos

BatRitinha disse...

Meu querido, é também para nos ajudar a evoluir que servem os amigos, e dessa tua forma querida corrigiste-me tão bem. Obrigada!
Vou também corrigir o texto.
Beijos!

Gena disse...

Como me disseste uma vez e eu guardei na memória "gosto de tudo o que tenha asas, anjos, borboletas, etc.", quando fiz prendas personalizadas para ti, muitas tiveram borboletas ou anjos. Por isso também sou um pouco culpada por teres tantas borboletas.

E "ouvi dizer" que ainda vêm aí mais... Mas agora vais ficar na espectativa.

Continua! Gosto muito de te ler.

BatRitinha disse...

Gé, é verdade, lembras-te disso! E cá tenho as tuas coisas com asas, de que gosto muito. Beijinhos!

AME disse...

E se te disser que quando vejo uma, daquelas branquinhas, n evito o sorriso?
O dia fica Ganho.
Adoro borboletas.
Beijinhos,

F3lixP disse...

Também gosto imenso de borboletas, são mágicas!
Lembro-me que ficavam presas na carpintaria do meu pia, batiam contra as ajanelas desesperadas por voltar ao mundo lá fora. Acabavam por morrer de cansaço se me esquecesse de cumprir a minha tarefa duas vezes ao dia, agarrava-as e devolvia-as à natureza, felizes batiam as asas e envolviam-se em jogos que nunca percebi bem se serão brincadeiras ou rituais sexuais, lol!
A última borboleta que ficou na minha memória foi uma Tigre, pousou numa flor rosa que fotografava no jardim da casa mais bonita do mundo para onde quero viver um dia!
Borboletas! Tenho-as no estômago, lol!

BatRitinha disse...

AME, eu também sorrio como tu, parece que é alguém que nos aparece a dizer que está tudo bem, não é?

F3lixP, era bonito esse gesto de libertar as borboletas. Às vezes vejo na tv aqueles programas acerca dos animais, e o momento em que devolvem uma criatura à natureza é sempre emocionante. Gostava de ver a foto de que falas!

Beijinhos!