terça-feira, 28 de abril de 2009

Já foi há mais de 12 anos...


Lembro-me do tempo ser longo, das conversas intermináveis, do fumo do incenso que rodopiava e subia pelo ar ficando no tecto misturado com as argolas dos cigarros que ardiam noite dentro e se apagavam no cinzeiro baixo de barro trazido de um bar qualquer.
Das portas que abrimos nas almas uns dos outros, das portas que se abriam de madrugada, dos sorrisos, dos risos, das gargalhadas, dos dramas, das discussões de impaciência, da partilha incondicional, das conversas cruas sem máscaras nem julgamentos de valor, dos diálogos no jardim ou em frente ao aquário.
Lembro-me da música que nos acordava pela manhã, fosse a que horas fosse, das disputas de congelador, das contemplações na varanda, da comida de pobre nos saber a gourmet de rico, dos jogos com o multibanco e de sermos felizes, do entusiasmo por descobrir um filme novo, da paixão por um autor, de sermos arrebatados por uma música, das paixões por sermos nós.
Lembro-me de um cortinado às riscas, de castiçais e velas, de nada dar com nada a não ser com a nossa vida, de gostarmos porque sim, do cotão debaixo da cama, do cortinado da casa de banho e do braço com unhas negras.
Lembro-me de coleccionarmos recordações na tralha que trazíamos para casa para nos pegarmos ao mundo, dos poemas, dos desenhos, das imagens pela parede, das festas e do cheiro dos perfumes.
Lembro-me da morte e ressurreição por amor, e do resto que guardámos, que é muito mais do que foi, continuarmos a ser nós.

Deixo aqui um pouco do que passou por nós.

8 comentários:

Arsène Lupin disse...

http://www.youtube.com/watch?v=JYrp6D9akQA

BatRitinha disse...

Eu queria os 12 anos no farol... mas não encontrei. Coloquei o sketch do Big Train. Goodness Gracious Me!

O Espírito do Tai Chi disse...

Amiga BatRitinha,

Relembrar os "bons tempos" é algo que nos enche a alma... e nos dá alegria.

António Serra

PS - a palavra de confirmação para este comentário é: "CIALIES"... caricato não?!

BatRitinha disse...

Amigo Serra, realmente é uma palavra muito caricata!!!
Beijinhos!

Graphic_Diary disse...

Ando longe destas lides, mas hoje parei por aqui, pensei deixa lá visitar os meus meninos e já valeu a pena a visita!
Sabes que, apesar de todas as mudanças de casa que já fiz (e, meu deus, se têm sido muitas!), apesar de ter deixado de fumar durante um ano e agora ter voltado (o imbecil!), ainda guardo e jamais serei capaz de me desfazer do "cinzeiro baixo de barro trazido de um bar qualquer"...
Acho que nele está concentrado tudo o que escreveste neste post e mais ainda. Talvez seja por isso que vacilo sempre que encaixoto as tralhas para mais uma mudança e me deparo com ele. Tenho a certeza que se o deitar fora é uma parte de mim (de mim enquanto nós) que, apesar de adormecida nas gavetas do passado, desaparecerá por completo nos braços do esquecimento. Assim, enquanto o for guardando, mantenho próximos os meus (nossos) lindos verdes anos dos quais muito me orgulho de ter partilhado com duas pessoas espetaculares: os meus faroleiros de serviço.
Obrigado
P.S. - vai uma garrafinha de Kardu?

BatRitinha disse...

O cinzeiro é um pouco do passado que trazes contigo, só que o passado não se apaga e deita fora como um cigarro. Não tenhas medo que não desaparece, com ou sem cinzeiro. Mas confesso que gosto muito de o rever quando vou a tua casa.
Obeigado por teres passado por cá. Beijos, meu faroleiro.

Arsène Lupin disse...

Kardu....

BatRitinha disse...

Cardhu, de 12 anos.
Já antecipava os 12 anos do farol... alguém consegue arranjar esse vídeo?
Beijos, meus queridos faroleiros!